VESTALIA

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Estátua de virgem Vestal – Museu Nacional Romano[1]

As Vestalia (Vestales) eram festividades em honra da deusa Vesta, que ocorriam nos dias 28 de Abril e 9 de Junho. A deusa Vesta era a deusa sagrada do fogo da casa, corresponde à deusa Héstia, na mitologia grega. A deusa tinha um templo circular no Fórum de Roma, onde ardia o fogo sagrado e as sacerdotisas de Vesta, as Vestais[2], Vestales, tinham o cuidado de o manter aceso. Apenas uma vez por ano se extinguia, no último dia de Fevereiro, último dia do ano do antigo calendário Romano, mas era acendido solenemente no dia 1 de Março, primeiro dia do ano.

As Vestalia eram celebradas pelo moleiros e padeiros, em especial, uma vez que o fogo era essencial no exercício da sua actividade, a cozedura do pão nos fornos, então tinham uma relação estreita com o fogo, elemento essencial na sua actividade e símbolo da deusa Vesta.

Nestas festividades também participavam os burros, animal consagrado a Vesta, uma vez que exercia funções essenciais na transformação do Cereal em farinha, já que era usado para fazer rodar as mós dos moinhos.

Durante o ritual das Vestalia os burros e as mós dos moinhos eram adornados com grinaldas e coroas de flores. As matronas participavam na festa descalças, para poderem estar em contacto com a terra, elemento também com o qual Vesta se identifica.

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Vesta, fave: tibi nunc operata resolvimus ora, / ad tua si nobis sacra venire licet. (…)

hic locus exiguus, qui sustinet Atria Vestae, / tunc erat intonsi regia magna Numae; / forma tamen templi, quae nunc manet, ante fuisse / dicitur, et formae causa probanda subest. / Vesta eadem est et terra: subest vigil ignis utrique: / significant sedem terra focusque suam. (…)

cur sit virginibus, quaeris, dea culta ministris? / inveniam causas hac quoque parte suas. / ex Ope Iunonem memorant Cereremque creatas / semine Saturni; tertia Vesta fuit. / utraque nupserunt, ambae peperisse feruntur; / de tribus impatiens restitit una viri. (…)

nec tu aliud Vestam quam vivam intellege flammam; / nataque de flamma corpora nulla vides. / iure igitur virgo est, quae semina nulla remittit / nec capit, et comites virginitatis amat. (…)

stat vi terra sua: vi stando Vesta vocatur; / causaque par Grai nominis esse potest. (…)

Ante focos olim scamnis considere longis / mos erat, et mensae credere adesse deos; (…)

venit in hos annos aliquid de more vetusto: / fert missos Vestae pura patella cibos. (…)

nde focum servat pistor dominamque focorum / et quae pumiceas versat asella molas.[3]

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“Vesta, me ajuda: a teu serviço ponho a voz; / que de teus ritos possam aproximar-se. (…)

Esse estreito lugar, que hoje é o Átrio da Vesta, / do cabeludo Numa era o palácio. / Dizem que se mantém a forma que houve o templo, / resta que se demonstre a razão. / Iguais são Vesta e a terra: um fogo eterno há nelas: / a terra e o foco a casa simbolizam. (…)

Perguntas por que a deusa é adorada por virgens? / Nesta parte direi também suas causas. / Da Satúrnia semente, Opes, dizem, gerou / Juno e Ceres, e Vesta foi terceira. / Duas casaram-se e geraram, uma só / das três negou-se a submeter-se a u’homem. (…)

Compreende, então, que Vesta é apenas chama viva / e que não nasce corpo algum das chamas. / Virgem por lei, nunca sementes ganha ou dá, / e ama, na virgindade, as companheiras. (…)

Mantém-se a terra por seu ‘viço’; daí vem ‘Vesta’ / – e na palavra grega a causa é a mesma. (…)

Era costume se assentar diante dos focos, / antigamente, e crer à mesa os deuses. (…)

Daqueles anos vem um vetusto costume: / um prato traz a Vesta as oferendas. (…)

O padeiro, por isso, e a burrinha que guia / as mós de pedra ao fogo e à deusa adoram. (…)”[4]

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Bibliografia Geral:

 

Valverde, José Contreras et alii, Diccionario de la Religión Romana, Ed. Clásicas, Madrid, 1992.

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[1] https://stringfixer.com/pt/Vestales

[2] As Vestais eram consagradas a Vesta por trinta anos, como sacerdotisas, e deviam manter-se virgens durante esse período do tempo. Terminado este, poderiam abandonar o sacerdócio e casar-se. Os castigos eram severos para as que não cumpriam a castidade, assim como para aquelas que não mantinham o fogo de Vesta sempre aceso.

[3] Publius Ovidius Naso, Fasti, Liber VI, vv.249-250; 263-268; 283-288; 291-294; 299-300; 305-306; 309-310; 317-318;

[4] Ovídio – Os Fastos – tradução de Márcio Meirelles Gouvêa Júnior, Autêntica CLÁSSICA.